Cinco motivos pelos quais muitas empresas pretendem manter o escritório físico no pós-pandemia

“O trabalho 100% remoto pode estimular duas tendências nocivas: o presenteísmo e o neotaylorismo.”

Mário Verdi para a RH para Você

Qual é o papel – e a importância – dos escritórios no mundo corporativo pós-Covid 19? Vários especialistas têm se posicionado a favor da manutenção dos espaços de trabalho presenciais nas empresas. Gianpero Petriglieri, professor do INSEAD (Instituto Europeu de Administração de Empresas), publicou um artigo na Harvard Business Review em que afirma que o trabalho 100% remoto pode estimular duas tendências nocivas: o “presenteísmo”, em que o colaborador permanece conectado (mas sem estar necessariamente produzindo) apenas para ser bem avaliado por gestores; e o “neotaylorismo”, em que mesmo demandas que deveriam ser criativas e intelectuais são reduzidas a uma espécie de linha de produção online. Na análise do especialista, esses fatores podem contribuir para a mecanização e a desumanização do trabalho.
Mas isso não quer dizer que todas as companhias devem seguir o exemplo de Elon Musk, CEO da Tesla; que, há algumas semanas, teve divulgado um email em que afirmava que o “trabalho remoto não é mais aceitável”. O principal ganho do mundo corporativo nos últimos dois anos foi a flexibilidade: é fundamental dar voz aos colaboradores e levar em consideração suas opiniões e necessidades, tendo em mente que cada pessoa tem um background diferente.

Mas quais são, então, as principais funções de uma sede física no mundo de trabalho pós-pandemia?

Estimular a inovação e a colaboração

Qualquer um que já esteve em um cargo presencial sabe que muitas ideias surgem em conversas nos corredores, durante o almoço, ou simplesmente a partir de um comentário feito com a pessoa trabalhando ao seu lado. Escritórios são uma ponte de colaboração entre as pessoas, e devem ser redesenhados para privilegiar encontros. É um erro achar que as pessoas vão querer ir ao escritório para fazer tarefas que demandam apenas foco, trabalhando individualmente em um computador; mas a coisa muda quando estamos falando de tarefas que exigem interação.

 

Manter a cultura empresarial

As experiências dos colaboradores no dia a dia do escritório influenciam a reputação de uma empresa e sua capacidade de atrair e reter talentos. É mais difícil implementar atividades e práticas destinadas a criar uma cultura empresarial forte sem um espaço físico que concentre tudo isso. Além disso, interagir pessoalmente com colegas – falando não apenas de trabalho, mas, eventualmente, compartilhando experiências e problemas pessoais – fortalece conexões, criando uma sensação de pertencimento e incentivando o espírito de equipe.

 

Impactar a percepção física da marca

Empresas podem comunicar suas identidades, valores e pilares éticos por meio de sua sede física – o que é percebido por funcionários e também por eventuais parceiros, clientes e visitantes. Além do reforço de identidade de marca, esse processo também ajuda na atração de talentos e mesmo no fechamento de novos negócios e oportunidades.

 

Garantir equidade

Nem todos os trabalhadores têm, em casa, as condições ideais para desempenhar suas tarefas – de equipamento a uma boa conexão de internet, passando por uma escrivaninha e cadeira adequadas, e mesmo ausência de interrupções. Um escritório disponível durante toda a semana a quem quer que, por um motivo ou outro, precise trabalhar na sede física da empresa assegura que todos os funcionários tenham condições adequadas para realizar suas funções.

 

Manter vida profissional e vida pessoal separadas

Um artigo publicado em julho de 2021 pela Ernst & Young, empresa multinacional de serviços profissionais, dividiu os trabalhadores em dois perfis: “segmentadores”, aqueles que mantém períodos de trabalho e períodos de folga claramente separados; e “integradores”, aqueles que parecem sempre estar entre as duas coisas, ou fazendo ambas ao mesmo tempo. Segundo a EY, os segmentadores conseguem se concentrar com tranquilidade na vida pessoal, mesmo quando a vida profissional está em uma fase estressante (ou vice-versa); e também têm mais facilidade em “se desligar” mentalmente do trabalho ao fim do expediente. Integradores têm uma maior tendência a sofrer stress ou burnout, por se sentirem trabalhando o tempo todo – e podem se beneficiar de uma distinção mais clara entre vida profissional e vida pessoal, na forma da separação física fornecida pelo escritório.

 

Autor: Mário Verdi, CEO e fundador da Deskbee, plataforma especialista na gestão do trabalho híbrido. A Deskbee tem mais de 300 clientes corporativos no Brasil e em países como Estados Unidos, México, Portugal, Inglaterra, Japão e Alemanha

 

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