Design Ergonômico e o trabalho híbrido

No cenário atual, onde o ambiente de trabalho está em constante evolução, a busca pela otimização do espaço e pelo bem-estar dos colaboradores torna-se crucial. O design ergonômico emerge como uma ferramenta essencial na criação de ambientes corporativos que promovem não apenas a eficiência operacional, mas também o conforto e a saúde dos profissionais. Conversamos com um especialista da área para explorar a influência direta do design ergonômico no bem-estar dos colaboradores, destacando a importância de sua aplicação em projetos de espaços de trabalho, tanto convencionais quanto adaptados à era do trabalho remoto e híbrido. Entrevistamos Edmur Yorikawa, arquiteto de criação da Space Plan, que destaca a necessidade de integrar conceitos inovadores nos projetos de espaços de trabalho, visando não apenas a estética, mas também a funcionalidade e o conforto. Confira o que Edmur tem a dizer:

 

1. Como o design ergonômico pode influenciar diretamente no bem-estar dos colaboradores em um ambiente de trabalho?

A ergonomia deve ser um princípio básico no desenvolvimento de projetos, proporcionando aos usuários ambientes cujas dimensões estejam adequadas ao seu uso. Para além da ergonomia na circulação e distanciamento entre os elementos do projeto, ainda é necessário estar atento ao conforto individual dos usuários, como mobiliários que atendam princípios básicos de ergonomia (altura correta, regulagens necessárias e materiais apropriados). A combinação da ergonomia espacial com a de uso individual proporciona a comodidade física dos colabores, indispensável para que o local de trabalho seja produtivo, confortável e que não cause danos durante a jornada no escritório.

2. Quais são os principais benefícios de incorporar princípios ergonômicos no projeto de espaços de trabalho corporativos?

Considerando que o ambiente de trabalho é, muitas vezes, onde as pessoas passam a maior parte do dia, pensar um espaço ergonômico significa proporcionar qualidade de vida aos colaboradores, minimizando impactos à saúde que podem surgir decorrentes do trabalho frente ao computador. O principal propósito é garantir que os usuários não façam esforços corporais desnecessários, ou repetidamente, e que consigam manter uma boa postura durante o desempenho de suas funções.

3. Na sua experiência, como o design ergonômico pode ser personalizado para atender às necessidades específicas de diferentes profissões e setores?

Deve-se levar em consideração as demandas de cada grupo de profissionais, bem como seu ramo de atuação, para que haja adequações necessárias para aquele cliente. Por mais que alguns requisitos mínimos de ergonomia sejam direcionados por normas, como altura ideal de mesas e assentos, outras especificidades podem exigir ajustes. Como comparação, para ser mais ergonômico, a estação de trabalho pensada para um designer que necessita de duas telas, manuseia materiais impressos e desenha em grandes pranchas deve ser maior do que a de um colaborador que desempenha a totalidade de suas funções pelo notebook e celular.

4. Quais elementos de design são essenciais para promover uma postura saudável e prevenir problemas relacionados à ergonomia no escritório?

A especificação do mobiliário e a compatibilização de suas dimensões no ambiente são essenciais num projeto. Há diversas normas brasileiras e internacionais que norteiam as proporções a serem respeitadas, como a ABNT NBR13966, cujo conteúdo se direciona ao dimensionamento das mesas em escritórios. Na escolha dos assentos, por exemplo, devem ser escolhidos fornecedores confiáveis que proporcionem um item de qualidade para o usuário. Cabe ao projetista, enfim, atentar-se à compatibilidade dos itens para que seu uso seja confortável e não acarrete problemas de saúde por postura; ou seja, uma cadeira convencional de escritório deve atender à altura padrão de assento, mas também estar proporcional à altura de mesa na qual ela será alocada.

5 .Como o equilíbrio entre estética e funcionalidade é alcançado ao implementar soluções ergonômicas em projetos arquitetônicos?

Para todo elemento de projeto, é imprescindível pensar no caráter objetivo, ou seja, na sua funcionalidade. E, para que seja funcional em sua totalidade, também é necessário pensar na ergonomia durante o uso. A partir disso, pode-se pensar o caráter subjetivo, a estética, para atingir a ambientação desejada para o projeto. A funcionalidade e a estética podem convergir ou divergir, e, por vezes, é necessário renunciar a uma escolha estética para atender a funcionalidade. Cabe ao projetista, então, avaliar as melhores soluções para o seu projeto, mas sempre tendo em mente que a percepção estética é subjetiva, enquanto a funcionalidade é um propósito e pode impactar negativamente na ergonomia e no uso daquele elemento.

6. Na era do trabalho remoto e híbrido, como o design ergonômico se adapta para atender às demandas de espaços de trabalho não convencionais?

A lógica das proporções entre os mobiliários e o usuário devem ser levadas em consideração independentemente de onde o trabalho está sendo desempenhado. Pode-se citar a importância de que a altura do tampo da mesa esteja de acordo com a altura do assento, para que se mantenha uma postura correta ao sentar-se; também é necessário que a mesa tenha uma profundidade adequada para que as pernas do usuário estejam confortáveis. Como contraexemplo de ergonomia, o usuário deve sempre se atentar para situações que podem ser prejudiciais à sua saúde e ao seu bem-estar, no curto ou longo prazo, como o uso do computador deitado na cama. O ideal, portanto, é que, mesmo no ambiente doméstico, o mobiliário e o espaço de permanência para trabalhar se assemelhem às condições proporcionadas num escritório.

7.Quais são as tendências mais recentes em design ergonômico para ambientes de trabalho e como elas impactam na produtividade e satisfação dos colaboradores?

Tendências recentes incluem móveis ajustáveis e modulares, espaços que permitem diferentes configurações e a integração de tecnologias para automação. Logo, a flexibilidade de uso e, consequentemente, a possibilidade de configurações específicas para uma pessoa ou para uma situação permitem que um ambiente ou móvel seja mais ergonômico de acordo com o cenário desejado. Os usuários são impactados não só pela inovação e pela personalização, mas também podem ser mais produtivos ao otimizar o cenário de trabalho.

8. Como o uso de tecnologia e móveis ajustáveis contribui para a criação de um ambiente de trabalho ergonomicamente eficiente?

As tecnologias que facilitam usos personalizados ou diminuem esforços colaboram para que o usuário tenha mais independência e, portanto, possibilita adequar-se à ergonomia necessária para funções mais específicas. Por exemplo, uma mesa com regulagem de altura possibilita que o usuário trabalhe sentado ou em pé, de acordo com suas necessidades. Além disso, recursos tecnológicos como automações, comandos de voz ou aplicativos também colaboram para que o usuário não tenha que desempenhar funções motoras repetitivas.

9. Quais são os desafios mais comuns que os arquitetos enfrentam ao integrar o design ergonômico em projetos corporativos e como superá-los?

Muitos dos desafios podem estar relacionados a restrições de orçamento, resistência dos clientes ou usuários a mudanças ou necessidades incompatíveis com o espaço disponível. Para superá-los, é importante explicar os pontos de atenção para os clientes, demonstrando como soluções criativas e com embasamento técnico podem elevar a qualidade do projeto e da ocupação final, para que o ambiente seja propício e ergonômico.

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